Sunday, April 02, 2006

And now we know...

Foi o acidente. Faltam exames, mas não foi nada antes do acidente. O assunto (ainda) custa e dói (sempre) um bocadinho de cada vez que alguém se lembra dele. Mas há coisas sem as quais já não sabemos viver. E temos que encontrar respostas para tudo. Até para isto. Para tudo há um porquê e nós já não sabemos seguir em frente sem nos questionarmos e sem sabermos as respostas.

Is that really the truth? A esta pergunta não dei uma resposta. Respondi, depois de muito pensar que não sabia.

Conversa à hora de almoço e todos param e ouvem, e eu baixo o som da televisão. Pára tudo. Isto é importante. Sem solução possível.

A vida pára (por minutos) para saber os motivos da morte.

E, todos os dias ela pára. Pára quando acordo e olho para a fotografia, pára quando entro no quarto e olho para a fotografia, pára quando limpo o quarto e limpo a fotografia, pára sempre. E vai sempre parar.

Porque seguimos em frente. Sim, seguimos. Mas temos que saber o que deixámos para trás. De certa maneira é essa certeza que nos ajuda a seguir em frente. O sabermos porque é que isto ou aquilo aconteceu. Não consigo viver com o peso de incertezas em mim.

Is that really the truth? Começa a pesar. O eu não saber que resposta dar a esta pergunta.

E niguém descansou enquanto não se soube os resultados. E agora que sabemos um, queremos saber os outros. Porque às vezes também é assim. Uma resposta não basta. Não é suficiente. Uma resposta levanta outras perguntas. Somo máquinas na arte de fazer perguntas. Para tudo encontramos perguntas. E para tudo queremos respostas.

E depois há aquelas perguntas que não têm resposta. E nós sabemos disso, mas mesmo assim, perguntamos. Repetidamente. São essas as perguntas que mais fazemos. Não são perguntas como, havia alguma coisa na estrada, ou, era excesso de velocidade. Não. São perguntas como, porquê. Só assim. Porquê? Já foi assim. PORQUÊ? Agora não. E sabemos desde o início, desde o momento em que pensamos nessas perguntas, que elas não têm resposta. Mas mesmo assim, fazemo-las. É tal a nossa sede.

Porquê?
Porquê?
e
Porquê?

Porque teve que ser.
Porque é assim a vida.
Porque estava na hora.

São estas as resposta que damos, ou que nos dão.

Merda para elas. Para as perguntas e respostas. Merda, merda.

Não resolvem nada. Não mudam nada. Apenas nos massacram. Não ajudam.

Is that really the truth? Sei lá! Esta não sei.

Next question, please.




3 comments:

joana said...

whow... wicked!... a tua forma de te expressares melhora de dia para dia (nao que precisasse de melhoramentos). é incrivel! consigo perceber porquê e consigo visualizar-te... fiquei mesmo arrepiada (e olha k hj eu n tenho força para grandes reacções, quer fisicas, quer intelectuais!)

enfim... os porquês... inefitavelmente os porquês...

quando era pequeninha acreditava mesmo que O Grande Livro dos Porquês tinha mesmo todas as respostas, e ficava tranquila. Maas depois com a estupida da adolescencia vem a verdade e naquela (infelizmente axo k nc saimos mesmo dessa fase, tirando os velhotes que chegam a um ponto de "harmonia" em que não lhes interessa saber mais nada de novo...)

loved your post, as hard as it (probalby) was for you to write it

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joana said...

*e ficamos naquela

xary said...

perguntas e perguntas. no fundo tentar conseguir as respostas só garante esse peso de incertezas que não suportas (eu também não). mas perguntamos na mesma. e é tão irritante. deviamos conseguir entender e aceitar que muito nos escapa e irá sempre escapar. nada controlamos. a vida vive mais ao nosso lado do que em nós. e é assim. a vida continuará e nós pereceremos. porque é assim. e porquê? não nos compete saber.

gostei muito do post, bee. muito mesmo. muito ficou por dizer,aposto. mas ainda bem. percente-te e contigo deve continuar.

beijo grande*