Wednesday, March 29, 2006

No barco...

- Já vai para um mês que o teu tio Jacinto morreu não é?
- Não. Faz dois. Dia sete.
- Parece que foi ontem que ele morreu.

Isso, falem outra vez nisso. Isso, segura outra vez as tuas lágrimas. Mas agora, no barco, a caminho de Lisboa, depois de ter falado com a minha Anokas, não as seguro. E ela percebeu. A tua voz está coisa. Lembrou-me alguém. Parece que não tenho mesmo como vos esconder nada.

E ontem, no carro, o meu pai levou uma senhora de Coina. A filha está doente. Muito doente. Agente chega a um ponto que perdemos a fé, perdemos tudo.

Às vezes sabia bem que alguém falasse de coisas boas. Acho que é por isso que tento ligar-lhe há algum tempo. Mas acho que nestas coisas tu... sei lá, só tu... me consegues animar. Com aquele teu jeito. Não entendo a tua insitência na minha cabeça. Não entendo porque não sais. Não entendo porque tens estado tão presente ultimamente.

Não sei. Mas as saudades... de tudo... de tantos... tio, Anokas, tu... começa a custar cada vez mais. Só quando penso nela é que não me dá vontade de chorar. Agora quando penso no meu tio ou em ti, é quase automático. Ele desperta lágrimas, e aqueles sorrisos que são acompanhados delas. Mas tu não... tu (ainda) despertas muitos sorrisos. E (agora) apertos. Não sei porquê.

Começa a custar pensar em ti. Mas é impossível não pensar. (segunda pessoa ainda, sabias?) Continuo a sentir as mesmas coisas. A querer as mesmas coisas. Da mesma maneira. Eu disse-te. Nada mudou mesmo.

Mas acho que ando a querer demasiadas coisas erradas / impossíveis. Queria o meu tio no casamento da Andreia (lágrimas), com as palhaçadas dele e do meu pai. Quem é que vai fazer agora as palhaçadas contigo? As palavras da Isabel. A foto ainda lá está. Queria o meu tio no segundo dia, em casa da Andreia. E queria o meu tio nas outras festas que certamente vamos fazer na casa dela. E queria que nada mudasse. Que ainda estivesses vivo e continuasses com as festas em tua casa, para espalhar a tua boa disposição.

Mas isto é impossível.

Queria ter continuado a falar com a Anokas. Mas não tenho mais dinheiro. Ela tem o computador avariado e eu não tenho net. Talvez lhe ligue quando chegar a casa. Sinto a falta dela. Ana Filipa miúda... as piadas, a amizade, o companheirismo...

[saída do barco, autocarro]

[na faculdade]

E tu... o que mais posso dizer de ti? Começa a custar. Antes eu dizia-te o que sentia. Não tinha medo de o dizer. E agora, mesmo depois do que disseste. Porque sou eu (...) O menino. Mesmo assim... Que mais a dizer sobre ti?...



16:30 /17:30 horas




6 comments:

joana said...

("it's a wonderful post, bee" wouldn't really sound well...)

continua a escrever as coisas cá para fora...

e repito (again and not a bit less meaningful): olá! estou aqui! (também sei ser estúpida!) e agora com sms... enfim... you know the rest...

em momento de stress faz o esquema:

*counterfit
*the ross 1
*cowbell
*alarcão
*recline
*the ross 2
*jazz hands
*mountain of affection
...

(are you better now?)

adoro-te (esquizofrenica do meu coração!) *************

Cláudia =)** said...

Oláá miuda! ;) tou a ver k as coisas estão um bocado complicadas aí pro teu lado..mas kero k saibas k espero k a tua boa disposição k te caracteriza, regresse depressa...Força aí! ***********

Bjs fofos

sancie said...

*tries doing the scheme with very pitiable results*

yeah, right... não tenho coordenação motora :S

other than that i'll just keep being here, in spite of the rest, come what may. (u know, unless she knocks me unconscious and i have to be taken to the hospital, in which case, well, i might be a bit off ;))

Joana said...

E volto a dizer... adoro a forma cm escreves. É incrivel mm. Mt intenso e juro k consigo sentir td. Tens esse dom: dizes / escreves e o sentimento deixa d ser so teu.

Bjinhos ***

xary said...

fica complicado de vez em quando comentar o que "deitas cá para fora" (e como a disse a manata, continua a fazê-lo) com medo de se ter entendido errado. mas entende-se o que deixar ser entendido.

queremos muitas coisas que já não podem ser. que nunca poderão ser. que nunca poderiam ter sido. queremos e queremos. e tanto queremos mudança como queremos estabilidade, continuidade. nunca uma das coisas. sempre o limbo. sempre o depende do contexto. mas olha, como disse uma prof - a de camões - a única coisa imutável é a mudança.

feel like i didn't quite get to the core of the post, though...sorry :$

beijo grande*

keep smiling the beautiful way you do :)

Tati said...

oh manata esquiofrenica é a mulher da historia d alemao tem la calma!lolol:Pkidding

ya marina
no one told you life was gonna be this way but i'll be there for you
just call me
so call me
(lembrei-m da phoebe:«so don't try to sing along, so don't sing along!»)