Friday, March 31, 2006

A Casa Verde

Finalmente. Pensei, porque não ir até lá? E quando vi o teu carro parado à porta, juro que tive que me controlar para não desatar a correr. Mas por dentro já estava aos saltos. Passei o teu portão, falei com o teu avô. Entrei pela porta que me cabe. Não a da frente, das visitas. Mas a do quintal, da família. A tua mãe abriu a porta. Estavas a dormir!

Só tu... E falaste. Uau, tu falaste. Contaste tanta coisa. E estás tão diferente. Não esperava ver-te assim, e adorei ver-te assim. Falamos... de nós, da escola, do trabalho, das pessoas que nos rodeiam... Falaste delas, eu falei dele... adorei quando repetiste o nome dele. E rimos. E gozamos com isto e com aquilo. Expert!

Só tu... ter estado ali, contigo, naquele quarto. Tudo na mesma. Tens as mesmas fotos, nos mesmos sítios. Os mesmos objectos. E tu... estás diferente. Em tanta coisa. E falámos... E foi como sempre foi. Mas desta vez foi diferente. Entendemo-nos. E tu falaste mesmo! Contaste o que tinhas andado a fazer, e eu claro, que te critiquei! Mas tu concordaste comigo!

Só tu... fizeste questão que eu soubesse disto e daquilo. Onde vais naqueles dias, com quem vais ter, fazer o quê. Não esperava isso de ti. Não esperava que fosses falar assim comigo. Anos depois e... está tudo na mesma. Acho que mehor ainda.

O clube de fãs... SÓ TU!!! Estás com uma vida tão diferente. E com uma maneira tão diferente de encarar as coisas. E cabrão!! Sim, e tu concordaste!!

Foi tudo, a maneira como falaste e as coisas que falaste. E eu, claro, tinha aquilo há meses para te contar. Tu tinhas que saber. E tu entendeste!!! Tu entendeste mesmo! Como é que disseste? Esse tipo de situações parece que liga mais as pessoas, ya, eu percebo. Sim, foi isto. Eu arrisco mais que tu. E eu ri, lembrei-me da promessa que fizeste há... ... cinco, seis anos atrás? Por aí...

E falamos dos cursos da fábrica. Queres acabar o Secundário. Mas pela primeira vez olhaste para mim e really meant that.

Não sei, não sei... tu és mesmo assim. Dezanove anos depois e... não sei...

Dezanove anos...

O baloiço debaixo da árvore. A mesma árvore em que esperavas por mim nos dias de chuva quando íamos para a escola. A fotografia do escadote. Não sei dela, mas sei-a de cor. E ainda se contam piadas cá em casa das vezes que vinhas ter comigo e nós aqui ainda estávamos a almoçar ou jantar. Ou vice-versa. Não tínhamos horas, éramos da casa um do outro. E as noites no quintal, com o Rex em cima de nós? E a tua garagem? E a tua varanda? E a meu quintal?

E nós? Nós nunca arriscámos. Fizemos bem, ainda penso assim. Durante anos falámos nisso. E havia sempre outras pessoas. Mas nunca pensámos em nada daquilo que falámos hoje. Acho que no fundo sempre soubémos qual o nosso lugar na vida um do outro. Hoje, isso mais uma vez ficou provado. Hoje falámos de riscos. Será que hoje arriscaríamos? Acho que não. Chegaríamos à mesma conclusão. Como sempre. E talvez faríamos o que sempre fizémos. Mas acho que agora não seria capaz. Sempre tivémos as nossas condições. Nós nunca arriscámos.

Mas disseste que fiz bem em arriscar. Também acho, e depois expliquei-te.

E as viagens diárias? Mesmo na altura em que começámos a nos afastar era isso que tínhamos, e tantas vezes dormi eu no teu ombro. Muitas vezes ríamos, falávamos, as tuas piadas... As nossas figuras! E os fins de semana, também nossos. Passeios de bicicleta. Tanta coisa. Jogos. Tanta coisa. O nosso esquema. Na minha casa brincamos ao que eu quero e na tua brincamos ao que tu queres! E lembras-te quando te obriguei a ler? Tu nunca gostaste de ler e eu odiava isso em ti, então um dia obriguei-te a ler!

E lembras-te no décimo ano, das nossas conversas? Que loucura. Longas horas na tua varanda. Porque foi que nos afastámos? E porque é que agora, depois deste tempo todo, és como nunca tinhas sido?

Sei lá! És tu, man!! Só tu... a Ana uma vez disse que se a vida fosse uma novela, um filme ou uma série, nós os dois já teríamos o nosso final feliz destinado! E fiquei a pensar em ti. Como sempre fico. E sorrisos... E a minha mãe notou. O que é que foste falar com o Alexandre? Posso saber? Ela ria-se, mas eu percebo-a. Não tem sido todos os dias que chego a casa com um sorriso enorme a dizer que vim da tua casa.

Passei uma semana cansada, com sono, dores de cabeça. Mas tu apagaste isso tudo. E sempre foste capaz de me pôr a rir naquelas alturas. Não, espera, em qualquer altura. Não te disse que ele era parecido contigo. Mas é. Depois digo-te. Também não precisei de te dizer o que sinto para tu perceberes. O teu olhar parou quando falei nele e tu sorriste. Não foram precisas palavras. Já sabes como eu sou. E eu sei como tu és. E eu sei que soubeste, porque sempre que falei nele tu paravas. Tu sabias.

Até de cabelos falámos!! Sim, porque estás com um cabelo que é uma coisa mesmo estranha! Mas já me habituei a ver-te assim.

E acho que não disse metade do que queria dizer. Mas domingo lá estarei. E mandamos mensagens. Depois daquilo que me contaste? Duvido... Mas domingo lá estarei. Porque tu não te enquadras em lado nenhum. És mais que qualquer definição.



i'll remember you always

:) damn, damn you...




4 comments:

joana said...

vários comentários a fazer:

"com o Rex em cima de nós"?... "o esquema"?... hummmm.... ;) kidding

mas faço ideia - sorrisos parvos!

percebo o que é ter alguém assim, não vale a pena descrever, porque isso ja tu fizeste melhor do que eu alguma vez conseguiria fazer (e mesmo porque é sempre diferente, e o teu toque especial ninguem iguala ;p)

qualquer dia (agora deste-me vontade) vou atras das minhas sombras de infancia, quase que de outros eu)

gostei imenso do "Não tem sido todos os dias que chego a casa com um sorriso enorme a dizer que vim da tua casa."

beijo grande

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Tati said...

é bom ter alguém assim...especial.
mais alto q os altinhos (makes sense on my mind)
é bom saber k este dia compensou-te os dias de desanimo k tens passado.
nao percas mais o contacto c algum assim tao xpecial.
mts sao os amigs mas poucos os especiais!

xary said...

as memórias e vivência são tuas e no entanto a maneira como as descreves é como se também estivessemos lá.

esses momentos soam-me a iluminação. há uma certa leveza que se tenta não perder depois de uma conversa dessas. a saudade. estar tudo diferente e igual simultaneamente.

vidas paralelas? às vezes.

beijo grande*

(beautiful post)

eli said...

e vivam as boas recordações e os sorrisos estampados na cara!!
bjinhos